quinta-feira, 3 de março de 2016

O ROCK EM COLORADO – VOLTANDO NO TEMPO...

Por Marcão Azevedo

Virga Ferrea No Femucic, sendo apresentado pelo batera/apresentador Serginho Halabi.
Houve um tempo em que Who Made Who e Jailbreak do AC/DC tocavam na Maringá FM.
Houve um tempo em que Scorpions, Queen, Asia, Europe eram ´´carimbados´´ com a vinheta ´´toca de novo!!´´, na mesma Maringá FM.
Houve um tempo em que Twisted Sister era o clip da noite, no Fantástico.
Houve um tempo em Colorado que o programa das tardes de domingo era ouvir rock e heavy metal no calçadão de Colorado.
Não! Não era os ´´paqueras´´ da vida. Eram riffs cortantes e levadas de batera insanas.
Houve um tempo em que, após o almoço dominical, após a soneca das noitadas de sábado, ficava olhando o relógio para dar 15/16h para ver o Virga Férrea tocar ao vivo em algum lugar de Colorado (D. Catita, Skimell....), onde detonavam clássicos do metal mundial, inclusive no portão de entrada do Colégio Monteiro Lobato, em cima de um caminhão. No repertório, muito Deep Purple, Led, Celso Blues Boy e outras coisas boas.
Voltando um pouco mais o implacável relógio do tempo, e tendo em mãos os vinis tipo Machine Head (Purple), Wonderfulworld(Uriah Heep), o compacto simples do Secos e Molhados, adquiridos à época dos seus respectivos lançamentos, percebo então que em Colorado, desde o princípio da década de 70 já havia um flerte, mesmo que inocente para os dias atuais, com o rock e suas variações.
Digo que Colorado sempre teve uma cena, adequada à cada época. É diferente de uma cidade que tem seus adeptos do rock, com suas camisetas, cd´s etc....., mas aqui a ebulição silenciosa sempre houve no formato de idealizadores e no formato de bandas.
Quando a Rádio Colorado funcionava ainda no prédio do antigo cinema, o Bili (Bilieri) já com um som mecânico agitava o calçadão do Bradesco. A vinheta de abertura era a introdução de Breaking All The Rules, do Peter Frampton. Pra quem não sabe, nesta época o calçadão, nos dois lados, era lotado nos finais de semana, com mesas e cadeiras disputadas quase que à tapa.
Reconheço o Bili com um dos batalhadores do movimento rock em Colorado.
Não bastasse isso, todo sábado à noite das 19 às 20h na extinta Cultura FM de Apucarana rolava o Rock Station. Só vinheta, ZZ Top e muito heavy metal, sem comercial.
Guarde estes nomes: Virga Férrea, Trama, Sex Hansen, Tumulto (Foz). Se não os tivesse conhecido, o Tragedy Garden não existiria. Qual a relação? Música boa, em sua maioria autoral.
Almir (guitarrista), ao Fundo o vocalista Edir (camiseta preta)
O Virga Férrea teve sempre uma relação muito forte com Colorado, pois o baterista era o Serginho Halabi. A formação clássica que gravou a demo que tenho e ainda ouço com freqüência era o Edir (vocal), com voz potente e postura de palco que lembrava o Freddie Mercury; Almir (guitarra), um virtuose de solos longos e técnica apurada; Jump (baixo), bases  competentes e na bateria Serginho Halabi, com nítida influência setentista. Tempos depois, o posto de baixo e batera sofreriam substituições. No baixo entrou o Benê, e numa das apresentações deles em Maringá tinha um batera substituto que se não me falha a memória era canhoto, e sua técnica era notória. Smoke on the Water e Child in Time(Purple), Rock´n Roll (Led), Running Free e Transylvania(Iron), Sempre Brilhará (Celso Blues Boy) eram algumas das pérolas que tocavam.Por  uns tempos tiveram um tecladista, chamado Boca, que estudou com o meu irmão Marcio.
Edir e Benê (baixo) – Show memorável no Femucic.
Tocavam, então, Jump (Van Halen). Certa vez ganhei a logo do Virga em 02 formatos, presente de um amigo. Um era no formato adesivo para vidro de carro. Conforme ia trocando de carro com o tempo, ia repassando o adesivo  para o novo carro.
A demo do Virga Ferrea traz somente músicas próprias, das quais uma instrumental. Defino como hard rock de alta qualidade.
A banda Trama contava com o Bili, Zé Roberto, Dalberto, César Viais, e alguns outros que se alternavam com o tempo. Lembro-me do Leandro Valério, Dinei Mostachio e do Ademir(hoje banda Luan Santana). Barão  Vermelho, Titãs, Engenheiros e muitos outros clássicos foram tocados por eles no circuito de bares da cidade e região. Pude Vê-los muitas vezes. Contribuíram para a construção da musicalidade local.
Sex Hansen ao vivo no Balaio, em Maringá.
O Sex Hansen surgiu em Maringá em meio à explosão do thrash metal. A banda foi formada pelo Juninho(Tribo´s) e seu irmão. O guitarrista era muito bom, e lembro-me dele saindo da banda para ir para os E.U.A., salvo engano seu nome era Clives. Fomos muitas vezes ao Balaio de Frango em Maringá assistí-los ao vivo.
Por falar em Balaio de Frango, lembro-me de uma noite com o Virga Férrea ao vivo, onde na época o baixo e batera tinham sido assumidos por dois irmãos. Um gordinho começou a agitar com o som dos caras, deu uma ´´topada´´ na coluna de som e deu conta de pifar o som, que demorou pra voltar. Imaginem os ´´elogios´´, e como lembraram da mãe dele....(rssssss).Tinha mais gente de Colorado neste dia, que podem comprovar esta passagem inusitada.
Tumulto(Foz)-tem choques que a gente toma na vida e mesmo que morra com 150 anos não esquece. Tomei alguns na vida. Um deles foi o Tumulto ao vivo no Femucic no Chico Neto em Maringá. A aparelhagem era da banda Metrópole. Sem comentários. Ao vivo, era peso e som de gente grande.Adquiri em seguida o vinil do Tumulto na extinta loja O Porão. Lembro ainda hoje que o baixista usava uma camiseta do Benediction.
Sendo o destino caprichoso, descobri mais de 20 anos depois que o guitarrista do Tumulto é irmão de meu concunhado Ronaldo, que mora em Foz. Hoje é formado em jornalismo e mora em Curitiba.
Sim, tudo e todos foram e sempre serão importantes. Reconhecer a importância de cada etapa é um ato de grandeza. O ponto de conforto é poder enxergarmos que tínhamos rock em Colorado na década de 70,80,90,2000, temos hoje e teremos amanhã. Que a juventude de hoje possa ser influenciada pela boa cena local, como foram um dia os bangers mais ´´antigos´´´.
Soa leve? Soa pesado? Não importa. O que importa é o quanto de verdade está contida na proposta de cada banda. Pinçando o melhor de cada proposta, molda-se a musicalidade completa e versátil.

Aumenta o som. Isso aí é rock´roll.



Marcão Azevedo - Tragedy Garden, Sleepless 

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