terça-feira, 8 de março de 2016

ENEMY TIME – 10 ANOS DO DISCO MAIS ´´CINZENTO´´ DO TRAGEDY GARDEN




Atendendo a um pedido do Vitor, segue um relato do processo de concepção de Enemy Time, quando completa-se 10 anos de seu lançamento. Sendo a banda composta sempre por 04 integrantes, é natural que cada um tenha seu ponto de vista.
Quando gravamos nosso primeiro registro, Silent Symphony, já tínhamos 90% da versão final de Introspection concluída, tanto que na gravação-master do Silent Symphony consta a passagem de som/aquecimento como sendo esta música.
Como muitos sabem, a música In Our Lives é considerada pela banda o divisor de águas na proposta a ser seguida, facilitando então o conceito para Enemy Time.
Cada imagem/cor/letras – tudo que consta em todo material da banda não é por acaso. Foi concebido de maneira muito cuidadosa para que o resultado fosse o mais fiel possível à proposta de cada trabalho.

O conceito para Enemy Time foi a linha do tempo. Ao retratarmos o tempo como inimigo implacável, nas ilustrações e letras, manifestamos neste trabalho um cenário de ausências, solidão, perdas e saudades. Com exceção da faixa The Cycle, de autoria do Vitor, as demais letras aprovadas pela banda foram de minha autoria, e confesso que retratam bem o estado de espírito daquele momento. Morando fora, a distância das coisas e pessoas de quem eu gostava foram pano de fundo para as letras que compõem este cd. Coube à cada um na banda , com a evolução às custas de muita dedicação, retratar isso musicalmente.
Enemy Time tem uma capa cinzenta/fúnebre, que a anuncia a musicalidade sombria e em preto e branco que toma conta do cd. A imagem da capa foi fornecida pelo Diego Ferreira, de Tamarana, durante o tempo que morei lá. Ele curtia muito Sarcófago, Slayer e metal extremo. Ele também é responsável pela faixa multimídia contida em Enemy Time. A escolha desta imagem é porque retrata numa figura de sepultura o começo ou o fim de um tempo, dependendo do ponto de vista de cada um. Detalhes definidos, o magistral trampo gráfico ficou a cargo do Bui, da Gráfica do Tio.
Musicalmente falando, alguns fatores técnicos da banda permitiram uma mudança de estágio e avançar nas estruturas das melodias. São elas:
1-o avanço absurdo do Vitor como guitarrista, sendo uma fábrica incontrolável de riffs;
2-a sustentação em bumbos de vários andamentos;
3-a afirmação do Marcio como vocalista em condições de ser a voz do Tragedy Garden;
4-o trampo ´´pegado´ das bases de baixo do Fernando Higino, pois antes de sua passagem pelo Tragedy Garden ele praticamente não tinha contato com contra-baixo. O Vitor nos apresentou ele e o trabalho dele conosco foi excelente, como músico e companheiro.

Quem já participou de alguma gravação sabe que na reta final os ensaios se intensificam e a margem de erros deve ser mínima. Tínhamos tido a experiência do Silent Symphony com o Neimar, mas no momento em que acertadamente optamos pelo Bressan em Londrina confesso que a expectativa e a motivação tomaram conta da banda. Felizmente o Bressan concilia sua própria técnica apurada como músico e produtor, além de ambiente e equipamentos de última geração. Para gravarmos Enemy Time, foram 04 ou 05 viagens a Londrina. Felizmente as linhas de baixo e bateria foram 100% aproveitadas na primeira sessão de gravação, ficando as demais locações para os vocais e guitarra. O vocal do Marcio rebombava estúdio afora,e o Vitor teve a condição de se dedicar às melodias, com dobras das linhas e camadas de guitarra. Na mixagem final, o Bressan com toques magistrais contribuiu e muito para o resultado, que agradou toda a banda. Se compararmos com o sucessor Follow The Insanity, observaremos que Enemy Time é mais ríspido e mais ´na cara´´, como pedimos.
A partir daí foram as divulgações e muitos contatos. A partir da resenha positiva na Roadie Crew passamos a vender  o cd para muitos Estados brasileiros, e repassando os envelopes percebo quão longe pessoas ouviam este cd. A execução de Enemy Time nas rádios rock de Presidente Prudente e Londrina possibilitou ao Tragedy Garden o contato e os shows nestas regiões.

Existem os capítulos seguintes. Follow the Insanity sucedeu a Enemy Time, mas isto será contado mais adiante.
O Tragedy Garden possui  concluído o material de Inconditional Pain, seguindo a linha conceitual e melodias mais apuradas. Mesmo ausente, fica a alegria e satisfação de ajudar e ter sido ajudado por cada um dos integrantes na concepção deste material.
Time......Enemy Time!!!

Por Marcão Azevedo

BêaBá - O Tributo aos Raimundos


 
Primeira formação
O BêaBá Raimundos cover foi um projeto que começou no final de 2008 inicialmente apenas para participar do Futty Rock Fest IV, já que tinham poucas bandas em atividade na cidade naquele momento. A iniciativa partiu de um velho conhecido da galera de Colorado, Leandro Naves ex -baixista do Guilhotina HC, fã declarado da banda ele convidou Rodolfo Santana e Alexandre Hygino para formar esse projeto. A primeira formação contou com Leandro Naves nos vocais e baixo, Rodolfo Santana na guitarra e backing vocal e Alexandre Hygino na bateria. Todos os 3 envolvidos tinham grande influencia e conhecimento sobre os Raimundos o que fez tudo caminhar de uma forma bem rápida e eficiente.
Com apenas 2 ensaios a banda já tinha cerca de 20 musicas prontas para se tocar ao vivo, porém a dificuldade do vocalista Leandro em tocar e cantar algumas musicas levaram a banda a recrutar um outro baixista para aliviar o “fardo”. Foi chamado o até então o guitarrista por formação Hudson Bello. E com essa formação a banda se apresentou no Futty Rock Fest IV. Era para tudo começar e terminar ali no evento, porém um contato em Maringá os convidou para fazer um show em um Pub por lá, os integrantes se reuniram e decidiram alongar um pouco mais o projeto. Nesse dia a banda se apresentou com o Invaders, e ambos fizeram um show muito energético e repleto de elogios do publico. Após esse evento, como o programado, era de se esperar que o BêaBá encerrasse as suas atividades. Alguns meses depois a banda tenta retornar com um outro baterista  já que o antigo tinha muitos compromissos e não poderia assumir as baquetas do BêaBá, porém a precariedade e  falta de comprometimento dos novos bateristas fazem com que a banda novamente entrasse em recesso.
Segunda formação
Cerca de um ano depois em meados de 2010 Leandro, Rodolfo e Hudson entram em contato com o baterista Doug, residente na cidade de Paranavai, e inicia-se mais uma fase no Raimundos cover, esse que foi o momento em que mais tocaram, fazendo ótimos shows em Paranavai,  nos eventos de motoqueiros principalmente. Em um desses eventos tocaram junto com uma banda cover dos Ramones, os Malditos Garotos, o vocalista Larsen fez uma participação no mesmo dia em 2 musicas do BêaBá - (Eu Quero Ver o Oco e I Believe In Miracles dos Ramones) – e ali começou uma cumplicidade entre as 2 bandas. Após um show em Maringá, Leandro sai da banda e o até então vocalista dos Malditos Garotos assume os vocais, dando uma “uma cara” diferente na banda. Essa foi a última formação do BêaBá que contou com Larsen nos vocais, Rodolfo Santana na guitarra, Hudson Bello no baixo e Doug na bateria. Com essa formação a banda fez alguns bons shows. Não se sabe ao certo o porquê a banda parou de repente, mas foram atitudes extra banda que levou a isso, talvez a grande dificuldade de ensaios já que 2 moravam em Paranavaí e os outros 2 em Colorado, ou talvez as formas de vida, e de filosofias diferentes que cada um levavam tenham sido os grandes responsáveis por isso.
O fato é que o BêaBá chamava a atenção pela fidelidade com que executavam o repertório, muito parecidos com o original, porém cada um dava a sua personalidade, “pegada”,  jeito de tocar/cantar nas musicas. Outra característica do BêaBá era ter na base de seu repertório musicas de certa forma B-Sides dos Raimundos. Foi uma banda com um histórico repleto de altos e baixos, mas que deixo sua marca na “cena” de Colorado.

Terceira formação

INNER ABYSS, O INÍCIO DO TRAGEDY GARDEN


O Blog COLORADO HEAVY METAL apenas tem o intuito de resgatar as histórias que fizeram parte de nossa resistência e iniciativa e também servir como um canal exclusivo para tudo que nos envolva, influencie e alavanque as bandas que aqui residem. Estamos no caminho certo para a melhora de nossas exibições da pagina de pesquisa do GOOGLE e documentando de forma concreta a “chama metálica” que reside no interior longe das capitais. Também tem sido legal a participação  de alguns amigos e pessoas ligadas ao “rock n’ roll” mostrando suas influencias e preferências musicais.

Hoje relatamos mais experiências do Underground de COLORADO, INNER ABYSS, a primeira experiência da Banda TRAGEDY GARDEN no ano de 2001 em busca das composições próprias. Existentes muitos pontos de vistas e talvez cada membro da banda tenha suas visões de formas diferentes. Mais o fato é que INNER ABYSS foi um cartão de visitas obscuro e sombrio, ainda mais se tratando de uma cidade com 20 mil habitantes.
Foto promocional do EP "Silent Symphony"
Quando o Guitarrista Vitor Carnelossi começou realmente a assumir o seu posto com o intuito de vingar o “projeto” e colocar suas influencias na banda  Marcão Azevedo e Márcio Valério já estavam desenvolvendo a música de uma forma bastante diferente do resultado final. Na fase extremamente inicial apenas sobrou a letra e o forte refrão questionando a “realidade ou a imaginação” (...Reality – Imagination) , em um conceito bastante sombrio e melancólico que o baterista já desenvolvia em suas letras que buscavam respostas para os cantos mais obscuros das almas errantes. Antes da mudança radical da parte instrumental, pois a canção era muito lenta, alguns amigos puderam presenciar o formato inicial da composição. Alexandre Hygino e Leandro Wilbert acompanharam o “engatinhar” dessa proposta e já enfatizaram a diferença gritante entre a primeira versão e a segunda, uma mudança que definiu a maneira de compor do TRAGEDY GARDEN. Na demo “Silent Symphony” cada uma das 3 músicas possuem suas particularidades e poderiam ser caminhos a serem seguidos, “INNER ABYSS” e “DREAM’S PARK”  ficaram no passado e são composições que não se assemelham com o que foi feito no decorrer da banda. São alicerces enterrados ao fundo da edificação do TRAGEDY GARDEN.
Encarte contendo as letras do EP, seguindo a cronologia de suas composições
Após uma conversa informal, então se decidiu que a música precisava de novos elementos e mais intensidade. A maior referencia nesse inicio de banda curiosamente foi a banda PENTACROSTIC  de Osasco SP,  muito pelo guitarrista Vitor que no período tinha emprestado alguns materiais da banda  e ficado surpreso com a morbidez de do vinil The Pain Tears. Marcão Azededo também era muito fã do Play “De Profundis”, uma referencia Death Metal que surtiu efeito na música INNER ABYSS. É claro que a questão gravação e a experiência ainda estavam distantes do ideal, mais o experimental extremismo da banda naquele período rendeu um conteúdo bastante prolifero, INNER ABYSS sai na 10ª edição da Tradicional coletânea Underground “Rock Soldiers” e deixou a impressão de um começo de banda muito positivo.
INNER ABYSS , música escolhida pelo organizador da coletânea
colocou Tragedy Garden com uma banda de Death Metal na ocasião
É interessante notar que o TRAGEDY GARDEN, apesar das influências de Paradise Lost, Crematory, Anathema, Tristania, Heavy Metal Tradicional, que são da formação pessoal de cada músico, sempre foram panfletários e diretamente influenciados por bandas Brasileiras. Bandas como PENTACROSTIC, GENOCIDIO, AMEM CORNER, THE MIST, ADAGIO, HEADHUNTER D.C., SEPULTURA e ETERNAL SORROW sempre foram fortíssimas nas composições da banda. Muito disso vêm do baterista Marcão Azevedo e Márcio Valério que apresentaram ao restante da banda essas influências latentes do Heavy Metal Brasileiro. PENTACROSTIC, GENOCIDIO e ETERNAL SORROW foram influências reais para esses músicos do interior do Paraná.
PENTACROSTIC - Inspiração e pioneirismo do Híbrido Death/Doom no Brasil

Era vez de COLORADO produzir seu primeiro manifesto de música extrema, INNER ABYSS surgiu mórbida e brutal unindo o Death Metal ao Doom Metal com características pioneiras em uma cidade de interior. O Tempo pode passar mais o “Abismo Interior” ainda está aberto e pode ser conferido abaixo:


COLORADO HEAVY METAL  - O ESPAÇO DEDICADO PARA NOSSAS BANDAS, NOSSOS AMIGOS, NOSSAS INFLUÊNCIAS!

EDITORIAL

O Blog COLORADO HEAVY METAL é uma iniciativa particular para o bem de todas as bandas. Para participar com alguma opinião, sugestão de pauta ou divulgação de sua banda envie um e-mail para vitorcarnelossi@gmail.com, lucicry5@hotmail.com, 
evandro211@live.com - estaremos prontos a avaliar sua sugestão. A iniciativa parte de cada um, não temos a responsabilidade de procurar divulgar quem não oferece informações. No mais o BLOG está de portas abertas para divulgar nosso estilo de vida, nossa música, nossa Cultura!

COLORADO HEAVY METAL

ENTREVISTA COM EVANDRO SUGAHARA

Hoje nossa entrevista é com o principal colaborador, além de redator e divulgador do COLORADO HEAVY METAL.  Vamos saber de suas preferencias e opções através desse bate papo no qual nos da a chande de nos conhecermos de uma maneira diferente!

COLORADO HEAVY METAL

Evandro Sugahara
1 – Evandro, como e quando você começou a curtir um som?

Evandro: Sinceramente meu primeiro contato com rock, foi com a banda RPM, com o disco Rádio Pirata ao vivo, meu pai tinha o vinil e eu colocava no toca discos da Sharp que tinha em casa pra ouvir, isso lá pelos 9 ou 10 anos de idade, em seguida conheci várias bandas do rock nacional dos anos 80, como Titãs, Paralamas, Legião, um pouco mais tarde, as bandas em evidência em minha época, como Raimundos e Charlie Brown Jr.,  circulava nesses meios, até que conheci a galera do metal aqui de Colorado, como o Vitor, o Humberto, Alexandre e comecei a ter contato com um som mais pesado, a partir desse momento me identifiquei com o metal e desde então venho caminhando no underground, pois além de ser música, pra mim é ideologia e estilo de vida também.

2 – Que bandas e quais fatos foram determinantes para você ser um grande admirador de Thrash metal?

Evandro:Inicialmente, dentro desta vertente do metal conheci duas bandas que curto até hoje inclusive, o Nuclear Assault com o Handle With Care e o Overkill com o Taking Over, álbuns clássicos do estilo e das próprias bandas citadas, porém, acho que os principais responsáveis por minha intensa admiração pelo Thrash Metal, são o Slayer e o Sepultura, os primeiros álbuns do Slayer que conheci, nem foram os clássicos, foram dois discos da fase em que Paul Bostaph comandava as baquetas, mas que pra mim foram chocantes e causaram grande impacto na época, o Divine Intervention e o God Hates us All, achei tudo muito furioso, contestador e polêmico devido as temáticas violentas e anti-religiosas, a partir dali fiquei fanático não só pelo thrash metal, mas também pelo Slayer, o Chaos A.D. do Sepultura me deixa boquiaberto até hoje, mesmo depois de tanto tempo, foi o golpe definitivo pra mostrar o estilo próprio do metal feito no terceiro mundo e não poderia deixar de citar como outro grande responsável pelo meu gosto por esse estilo o Pantera, Cowboys from hell e Vulgar Display of Power dispensam comentários!!!

3 – O Guilhotina HC começou a organizar eventos criando uma nova cena juntamente com o Tragedy Garden e Invaders. Como você sendo uma participante do ”movimento” na época enxerga essa ebulição da cena em nossa cidade?

Evandro: Acredito que naquele momento vivemos o auge do negócio, uma fase bem legal, que houve um apoio e participação significativa nos eventos e demais acontecimentos envolvendo as bandas, fico feliz por ter participado disso e por continuar a participar agora, essas bandas tiveram e tem um papel importante, pois além de criar a cena, tudo o que envolve o underground de Colorado é movimentado por elas, por intermédio de integrantes dessas bandas (Guilhotina e Tragedy principalmente) é que a galera de Colorado teve a oportunidade de ver outras bandas da região tocando por aqui em eventos com uma proposta voltada para nossa cultura, por isso sou grato a esses caras, por serem pioneiros nesse sentido também. Cito estes momentos como o auge da cena, porque obviamente hoje estamos numa fase de declínio infelizmente,  o que se deve principalmente a falta de atitude de alguns e de união da maior parte, mas nem por isso vou desanimar né, a jogada é continuar a apoiar essas bandas e juntos tentar mudar essa atual condição.

4- O Anistia HC foi uma experiência muito interessante e inaugurou a primeira edição do Futty Rock fest. Como você encara esse projeto nos dias de hoje, você acredita que o Anistia Hc deixou sua marca no underground de Colorado?

Evandro: Acredito sim que deixamos nossa marca, a proposta do Anistia era muito boa, pena na época eu estar saindo da cidade, mas gostaria de ter levado esse projeto mais longe, tínhamos um repertório muito bom, um grande tributo ao punk rock nacional, acima de tudo pra mim, foi um grande aprendizado, tanto na parte de saber como é fazer parte de uma banda, quanto no prazer de tocar as músicas que curtíamos, e no que diz respeito a como eu encaro tudo isso, só posso dizer que tenho muito orgulho de ter feito parte desse lance, pois foi uma parada feita entre amigos, sem brigas , nem intrigas, pura atitude e vontade de tocar, o que torna tudo mais visceral, enfim, tivemos nossa participação na história do underground local!

5 – Após o show do Anistia HC você morou por alguns anos em Manaus. Como é  o Heavy Metal em uma capital?

Evandro: Todos os lugares enfrentam os mesmo tipos de problema, em menor ou maior escala, mas fiquei surpreso com a cena que encontrei lá, a principal diferença entre  o underground daqui e o de lá, está na participação das pessoas, claro que dadas as devidas proporções, já que estamos falando de uma capital, mas resumindo, é muito bom, tem vários shows no decorrer do ano, nacionais e internacionais, e muitos lugares voltados para o público headbanger, quando eu queria sair pra tomar uma beer não precisava ficar ouvindo sertanejo. (rs) 

6 – Você é um grande apoiador do metal nacional, quais bandas você destacaria no momento?

Evandro: Bom, como sempre costumo ressaltar, as bandas brasileiras nada devem em termos de qualidade às bandas gringas, ocuparia a página toda falando sobre isso, mas vou me ater a uma safra mais recente e destacarei os seguintes nomes, “Surra”, banda de hardcore/crossover violentíssima de Santos-SP, que tem um EP muito legal na praça, o “Bica na cara”, “Hibria”, banda gaúcha de Power metal, os caras já tem três discos lançados e vem obtendo ótimos resultados no mercado japonês, “Cursed Slaughter”, com seu recente “Metal Moshing Thrash Machine” uma porrada Thrash metal/Crossover como já entrega o nome do álbum, enfim existem mais uma infinidade de bandas que poderia citar, mas quem tiver interesse em conhecer mais a cena nacional, é só usar as redes sociais de forma útil, lá eu costumo encontrar muitas coisas desconhecidas e que merecem ser ouvidas.
7- Quais suas metas como colaborador do COLORADO HEAVY METAL?

Evandro: Bom, além de manter o propósito inicial do blog, que é divulgar nossa cena e nossa cultura, quero romper a barreira do ambiente virtual e em um futuro próximo organizar algum evento em parceria com as bandas que divulgamos fazer um lance mais multimídia, enfim, como se trata de um veículo de comunicação vamos exercer a função que fato nos cabe, disseminar nosso estilo de vida e mostrar do que realmente é feito esse movimento e que nossa cidade tem algo além de rodeio e bares sertanejos a oferecer. Existem muitas possibilidades e idéias a serem exploradas, e tenho intenção utilizar todas possíveis.

8 - Quais seus cinco álbuns favoritos?

Evandro: Pergunta ingrata essa, existe muita coisa boa por aí, minha opinião sobre essa lista pode até mudar semana que vem, mas fica aí a lista que me vem em mente hoje:
1° - Slayer – Reing in Blood
2°- Sepultura – Arise
3°-Pantera – Vulgar Display of Power
4°- Death – The sound of perseverance
5°- Exodus – Bonded by Blood
No momento são esses!

9 – Que álbum você indicaria para uma audição cautelosa, um álbum despercebido pela maioria?

Evandro: Bom, nesse quesito eu indicaria o Tiger Cult, uma banda meio esquecida, no momento está vivendo um hiato, que já dura bastante tempo, porém o debut álbum dos caras é definitivamente um clássico do metal nacional pra mim, Cold and Terrible(2004) é a minha indicação, disco super variado, Power/Thrash/ Heavy, uma grande mistura, mas feito com muito bom gosto e tocado de forma muito coesa, espero que a Marina Takahashi(Guitar) ainda tenha interesse em reativar esta banda, pois eles merecem reconhecimento.

10 – Obrigado Evandro, suas considerações finais.

Evandro: Gostaria de agradecer pela oportunidade de expor minhas idéias, agradecer ao Vitor Carnelossi pelo convite para participar deste projeto, que tem sido um imenso prazer fazer parte, e convidar a todos que participem mais ativamente de sua cena, apoiando iniciativas como a do Colorado Heavy Metal, apoiando as bandas locais e acima de tudo, curtindo um som é claro, espero poder contribuir pra que possamos fazer nosso underground crescer, continuaremos aí na luta!!! Keep it rock!!!!

TRAGEDY GARDEN - VI TUPÃ UNDERGROUND UNION

Às vezes não notamos o quanto a estrada é longa e quantos passos já foram dados para ter a segurança de fazer um show carregado de segurança e identidade. Essas palavras descrevem a segunda passagem do Tragedy Garden em Tupã SP, no  VI  UNDERGROUND UNION. Um show coeso, pesado e com um clima predominantemente sombrio.  Um show coeso, pesado e com um clima predominantemente sombrio.  O primeiro show da nova formação com Márcio Valério (Vocais), Vitor Carnelossi (Guitarra). Rodolfo Santana (Baixo), Alexandre Hygino (bateria) honrou a trajetória construída pela banda desde os primórdios em suas apresentações ao vivo sempre carregadas de densidade e sentimentos.
Recebendo do convite do organizador Vander a banda foi rapidamente tomada por certo saudosismo em regressar em um festival muito interessante e diversificado, com um nível muito bom para um evento destinado ao metal pesado.

Sendo a primeira banda a se apresentar, coube ao Tragedy Garden  “quebrar o gelo” iniciando a tarde “metálica” em Tupã. Abrindo o “set list” com “I an the Sadness” os presentes já notaram que o show manteria um clima denso e melancólico. Na sequencia as músicas “The Cicle” e “Introspection”  levaram todo os sentimento sombrio do CD “ENEMY TIME”, um trabalho que marcou época no underground norte-paranaense. O Vocalista Márcio usou muito bem a condição de “frontman” e deu um tom hora brutal, hora sombrio as composições da banda ao vivo, sempre mantendo uma  identidade forte  ao grupo. Em “Mysteries of Pain” a influencia do doom metal fica e evidente, a atmosfera do festival no  VI TUPÃ UNDERGROUND UNION é tomada por uma sonoridade lenta e obscura.  “Endless Dream” é a próxima,  sua pegada  rápida provocou  algumas “rodas de mosh” próximas ao palco. Vale ressaltar a pegada precisa e pesada do baterista Alexandre Hygino,  essa foi a sua estreia na banda. As músicas receberam um peso “extra”  evidenciando com competência a parte rítmica lenta e brutalizando as partes rápidas. Na metade do set list era hora do primeiro cover, “Murder” da banda norueguesa “Katatonia”, surpreendendo alguns presentes por ser uma canção  inusitada, mesmo se tratando de um clássico do Doom  Metal mundial. Quem acompanha o cenário mais extremo pode constatar que o Doom/Death Metal é um dos subgêneros  de mais difícil assimilação dentro do Heavy Metal.

Dando sequencia, após o Vocalista Márcio lembrar os 10 anos de lançamento de “Enemy Time” ,”November 2nd “ é executada mostrando  algumas influencias góticas e evidenciando o baixo de Rodolfo Santana, que manteve-se forte e presente durante todo o show. Rodolfo sabe preencher muito bem os espaços e faz o papel complicado de segurar uma base “consistente” sem uma segunda guitarra, tarefa muito bem executada.

Um momento  especial para banda foi a execução de “In Our Lives”, uma música muito lenta que proporciona uma elevação  densa de sentimentos  melancólicos e sempre conta com uma atenção especial para o longo solo de Guitarra de Vitor Carnelossi . O VI TUPÃ UNDERGROUND UNION estava apenas começando, mais a participação  do Tragedy Garden chegava  em seus momento finais. Carregada de significados a música “Enemy Time” (faixa título do segundo material da banda) colocou a galera mais uma vez a agitar com a sonoridade  veloz e  melódica  da música , mostrando que mesmo após 10 anos a canção continua sendo o ponto alto dos shows do TRAGEDY GARDEN. Em “Inner Abyss” a influencia Death Metal surge em um momento isolado, mostrando os primórdios das composições e funcionando muito melhor ao vivo, um som pesado e brutal! O encerramento da banda não podia ser mais digno, o cover de “Eternal” do Paradise lost que mostrou e explicou muito das referencias do TRAGEDY GARDEN em relação a suas influências, todos curtiram muito o cover e abanda deixou o palco muito satisfeita  com os resultados do show.  Com uma nova formação o TRAGEDY GARDEN novamente representou o HEAVY METAL de COLORADO e levou a sua música pesada e sombria aos os ouvidos dos presentes, uma continuidade benéfica e honrosa para a banda.  Vale apena mais uma vez reverenciar a ótima organização, qualidade de som, e profissionalismo no organizador Vander em mais uma empreitada  e a todas bandas que participaram do evento.
COLORADO HEAVY METAL

TRAGEDY GARDEN NO: TRIBUTO AO LAÉRCIO LORD HOLBER

No dia 10/08/2013 o Heavy Metal Norte-Paranaense ficou marcado por um evento solene, o TRIBUTO AO LAÉRCIO HOLDER. Lá várias bandas se apresentaram com um único intuito de homenagear o saudoso LÁERCIO HOLDER, uma pessoa que foi muito importante para o underground sempre a frente do HOLDER, um grande expoente do cenário extremo do Brasil.


Continuando nossa saga de  retratar o Heavy Metal na região, em especial nossa cidade de Colorado, o TRAGEDY GARDEN esteve por lá representando juntamente com todos os amigos que se deslocaram para Sarandi (PR) o underground de nossa Cidade.
Chegando por lá, o evento já estava ocorrendo, várias bandas já tinham passado e o publico marcou presença de forma muito satisfatória. Assim como outras bandas, o TRAGEDY GARDEN foi tratado com muito respeito pelos organizadores, mostrando que o planejamento deu resultados ótimos para o tributo.
O local estava cuidadosamente decorado com banners do Láercio Holder, havia um estúdio onde o público poderia fazer fotos com imagens do saudoso guerreiro e no telão ao fundo do palco vários momentos de Laércio eram projetados em fotos, algo muito emocionante e digno de elogios para organização. Dez bandas passam pelo palco no TRIBUTO AO LAÉRCIO HOLDER além do próprio Holder como o grande momento da noite. Na perspectiva do COLORADO HEAVY METAL o representante de Colorado nesse fez uma boa apresentação na ocasião. Sendo a 9ª banda a entrar no palco o grupo conseguio um bom resultado com o público. Antecedido pelo INNERSELF (Sepultura), um dos melhores grupos cover do Brasil, o tradicional HAZY HAMLETY com seu Heavy Metal tradicional totalmente “true”, e o estreante HYNCYPTY com seu DEATH/THRASH empolgante que lembra às vezes SADUS, ATHEIST com um alto grau de técnica dos músicos, era a vez do TRAGEDY GARDEN se apresentar. Com o set list reduzido para o evento o grupo entrou de cara com três músicas do EP “ENEMY TIME”, “Endless Dreams”, “Enemy Time” e “November 2nd”. 

As músicas do TRAGEDY GARDEN ao ver dos integrantes caíram muito bem no contexto do Tributo, com uma cadência da escola do Doom Metal a banda conseguiu deixar o ambiente com um clima bastante denso. Em “Mysteries of Pain” as referencias mais soturnas do TRAGEDY GARDEN ficaram evidentes lembrando em alguns momentos as influencias dos antigos medalhões do estilo como; My Dying Bride, Paradise Lost e Anathema. Ao final da apresentação a banda executou um cover do PARADISE LOST, a clássica “Eternal”. Ficou evidente que o TRAGEDY GARDEN esta em um ótimo momento, sendo muito bem digerida pelo público, honrando a bandeira levantada há 13 anos pelo grupo de COLORADO. Após o TRAGEDY GARDEN é a vez do grande momento da noite, a apresentação do brutal HOLDER. Em uma apresentação que priorizou os vários momentos da discografia, a banda recebeu a participação de alguns músicos convidados da cena para executar as obras extremas do grupo. O guitarrista barba mostrou toda sua técnica em solos extremamente difíceis de executar acompanhado pelo baterista Gilson que assumiu as baquetas em determinada faze da banda e esta literalmente destruindo seu kit de bateria. O show finaliza com o já clássico som “Morbid Hell” a ultima obra do saudoso LAÉRCIO LORD HOLDER que pode ser acompanhado em um CLIP muito legal disponível na youtube.

Finalizamos essa matéria com as palavras de um dos organizadores, MARCOS DISMAL:
“Obrigado a todos que compareceram no evento em Tributo ao Laercio Lord Holder,. As bandas que se empenharam e sem hesitar aceitaram participar dessa homenagem, e todos que contribuíram para realização do mesmo. Foi memorável, inesquecível, tanto quanto o Laercio Lord é para aqueles que o conheciam de alguma forma, tanto por meio da música ou pessoalmente. Vamos continuar na certeza de que seu legado será sempre lembrado! Metal Sempre! (Marcos Dismal, Roberto Death e Família).”
COLORADO HEAVY METAL

FOLLOW THE INSANITY – O TRAGEDY GARDEN FLERTA COM A INSANIDADE

Depois da ótima e agradável aceitação de Enemy Time, era chegado o momento de um novo capítulo na história do Tragedy Garden.

Uma das preocupações da banda era não se repetir, mas mantendo intactos os elementos característicos da nossa proposta, ou seja, que sempre predominasse a densidade e a melancolia. Certamente que isso exigia um cuidado e esforços maiores na concepção instrumental, onde credito os méritos ao guitarrista Vitor, que foi meu grande parceiro ao longo de incontáveis ensaios de guitarra/bateria buscando a melhor sonoridade para cada parte das músicas. Neste período, eu havia mudado de Tamarana para Faxinal, mais distante ainda de Colorado, agora com um bebê , mas sempre presente para que a banda continuasse. Poucos sabem, mas Enemy Time e Follow the Insanity tiveram suas partes de bateria lapidadas numa maquete de madeira que levei daqui, construída pelo Neimar, pois não tinha como ter uma bateria em outra cidade. Só tinha acesso à bateria quando estava em Colorado. Se não gostasse tanto teria desistido. A força de vontade e o apoio da banda foram muito importantes.


Por muitas vezes o Vitor me manifestou sua preocupação em produzir um material que fosse igual ou superior em termos do que entendemos como qualidade e evolução. Percebia, porém, durante os ensaios, que a criação do novo material vinha ao encontro desta expectativa. Percebíamos a força e o efeito de algumas partes, e sempre pensávamos nelas em como ficariam após a gravação.
Follow the Insanity significa Siga a Insanidade. O conceito escolhido para as letras foi a loucura. O Vitor escreveu My Garden e o Marcio escreveu Mysteries of Pain, faixas que respectivamente abrem e fecham o disco. Ambas cinzentas e sob medida. As demais, que remetiam diretamente ao conceito da loucura e insanidade foram minha redação com aprovação do Vitor e Marcio. Lembro-me que quando finalizei Revelation, ao encaixar as últimas palavras, senti uma espécie de esgotamento mental, pois seu formato final me ocorreu no trajeto de casa em Faxinal para o trabalho.

Momento, então, dos ensaios para a futura gravação. Tínhamos naquele momento um novo baixista, Leandro Francelino (Bambam), que com bastante técnica e personalidade assimilava as coordenadas do Vitor, contribuindo bastante para o aproveitamento de nossos ensaios, além de ótima postura de palco ao vivo.
A partir do momento em que definimos a época de gravação, encaminhamos ao produtor Bressan as letras e suas traduções, para que o mesmo fosse assimilando o que buscávamos para o novo cd. O cara é macaco velho e sacou de primeira. Permitiu ao Vitor várias dobras de guitarra e sessões de violão. Evidenciou a viagem mental da loucura com efeitos sonoros e nos vocais. Sonoridade mais densa com ares atmosférico e menos ´´na cara´´. Destaca-se ainda o ótimo aproveitamento do Marcio e do Leandro em suas respectivas partes, zerando de primeira.


O passo seguinte foi o trampo gráfico. Usamos a mesma tática do material antecipado para o Bui, da gráfica. Observe que cada encarte do Tragedy Garden se diferencia do outro, e este viria num formato de livreto, e descrevo como magistral o trampo do Bui, tanto na coloração que pedimos como nas marcas d´água do material. A ilustração da capa é do amigo Norton, sob encomenda. Retratou bem a proposta. As duas crianças lado a lado representa a sanidade a loucura convivendo lado a lado. A criatura ao fundo é a insanidade que aponta o caminho, ´´tocando´´ uma das crianças que muda seu olhar e seguirá a insanidade.
Estava escrito, então, o novo capítulo. Follow the Insanity foi bastante executado principalmente em Londrina, Prudente e Maringá. Várias de suas faixas, mescladas à de Enemy Time passaram a compor o set list da banda ao vivo, soando pesado, sombrio melancólico como sempre quisemos.
Num tempo em que holofotes não são necessários, a descoberta de que todos corremos o risco das memórias curtas, do esquecimento fácil.
Siga a insanidade. 

Por Marcão Azevedo (Ex-Baterista do Tragedy Garden e fundador da banda)

ENTREVISTA RODOLFO SANTANA (EX - GUILHOTINA HC / EX -TRAGEDY GARDEN)

Um músico versátil e dedicado, podemos dizer que RODOLFO “RODOX” seria uma ótima aquisição para qual fosse à banda que entrasse. Rodolfo é uma espécie de CORINGA das bandas em Colorado, sempre se adaptando a situações inusitadas e evoluindo em todas as funções em que lhe são confiadas. Baixista, Guitarrista e Vocalista, hoje batemos um papo com esse extremamente importante músico de nossa cena.



1 - Rodolfo, como e quando você começou a curtir rock/Heavy Metal?
R: Ainda na infância, comecei a andar de skate com os amigos, e como uma espécie de trilha sonora escutávamos muito Planet Hemp,CPM22,Raimundos,Charlie Brown Jr, O Surto e Chico Science e Nação Zumbi, que era na época o que mais nos identificávamos pelo estilo de vida que levávamos, porém foi na escola com outra galera que peguei realmente o gosto pelo rock e suas vertentes, conheci os sons mais pesados e os mais clássicos, e se deu inicio à uma evolução natural de distinguir o que era bom e o que não era.
2  - Como você começou a se envolver com a cena underground e se tornou um músico do gênero?
R: Cansando de ver outros tocarem e terem banda e eu não rs... Foi um caminho até meio complicado, lindando com desconfiança, algumas chacotas básicas e pouco apoio dos amigos mais próximos, mas resolvi tomar as rédeas e chamei alguns camaradas que estavam começando a tocar também e formei a minha primeira banda, o Four W.C. que na verdade já existia  e só estava desativado, e eu juntamente com o Leandro Bambam (ex-baixista do Guilhotina e Tragedy Garden), o Celinho (ex-vocalista do Invaders) entramos nas respectivas vagas na banda e nos juntamos  com o Buiu e o Buika únicos remanescentes da formação original, porém a banda acabo antes de fazer algum show, visto que o Buika se mudou da cidade.

3 - Sua Primeira banda propriamente no estilo Rock n´roll foi o VOVÔ MADIN. Quais a experiências que esse período lhe revelou como músico?

R: Então, o Vovô Madin foi uma fusão de 2 projetos, como citei na pergunta de cima a minha primeira banda foi o Four W.C. e após o fim desta, o Billy um velho conhecido da galera que gosta de rock em Colorado que também havia acabado de sair de uma outra banda me chamo para formar algo e ae nasceu o Vovô Madin que foi um divisor de águas na minha vida, me fez abrir a mente para outros estilos, e foi um desafio tocar algumas coisas inusitadas, tendo que se adaptar ao que podíamos fazer na época, e apesar do pouco conhecimento e experiência que tinha, creio que foi onde eu consegui aparecer e mostrar do que eu era capaz de fazer... Infelizmente por vários fatores a banda se dissolveu antes do que eu queria, houve até lampejos de uma volta, o que não deu certo, mas eu sei que esse não foi o fim do Vovô Madin e um dia a gente se reúne pra fazer um som novamente.

4 – Dentro do VOVÔ MADIN havia músicos de várias vertentes, desde rock/Brasil até o pop rock, é possível equilibrar estilos tão distintos dentro de uma mesma banda?
R: É difícil!!! Ter uma banda que toca de tudo dentro do rock é complicado, o nosso repertório era uma salada mista, ia de Matanza e Metallica à Elvis Presley e Audioslave, fora as musicas que tínhamos cortado do repertório... Cabeças diferentes, gostos diferentes,  e também falto um certo respeito entre nós nesse quesito. A ideia é boa no papel, “tocar o que a gente gosta e ser feliz”, porém certas escolhas de repertórios eram equivocadas e causava o descontentamento de alguns e isso gerava uma certa tensão na banda, e o agravante e principal fator era externo, incompatibilidade de vida dentro da banda, opiniões, formas de viver, aliado a falta de lugar pra ensaiar. Ou seja pequenas coisas viravam uma avalanche rapidinho. Pelo tanto de treta que rolo, a banda suporto até demais rs.

5 – Após o fim do VOVÔ MADIN você encabeçou o projeto BÊABA onde faziam tributo ao grupo RAIMUNDOS, gostaria que você comentasse um pouco sobre esse projeto. Qual o saldo final que você obteve com a banda em termos de musicalidade e experiência.
R: Raimundos sempre foi uma forte influência na minha vida, não poderia ser diferente no meu jeito de tocar, surgiu então a ideia e a oportunidade de fazer acontecer um tributo a uma das maiores bandes de rock da minha geração. Foi outro projeto inconstante também, houve várias fases, formações e uma série de situações que me fazem lamentar o fato de a gente fazer algo tão bom quanto os originais dos Raimundos, mas por falta de responsabilidade de uns a coisa sempre ficava pela metade. Como guitarrista, creio que foi onde eu tive a melhor fase, onde houve o meu máximo de empenho, e tive a oportunidade de conhecer e tocar com pessoas de outro lugar fora de Colorado, camaradas que ainda hoje mantenho contato como o Larsen,Markinhos e o Hugo que são um pessoal que tinha o Ramones cover em Paranavai...O BÊABÁ me proporcionou muitas dores de cabeça e algumas alegrias, assim como quase em todas as bandas em que toquei no começo, mas no Vovô Madin por exemplo eu me sentia melhor apesar dos apesares, talvez pelas pessoas que eu conviva no começo da banda, não sei, sinto mais saudades do Vovô Madin do que o BÊABÁ.

6 – Quase que na tangente você foi convidado para integrar o grupo GUILHOTINA HC assumindo os vocais, como se deu essa empreitada que resultou na sua entrada como vocalista da banda?
R: Era algo eu queria e muito, mas por ser muito novo na “cena” eu tinha receio de demonstrar. Em caminhadas com o Alexandre (baterista) eu falava que eu poderia ser uma opção para os vocais do Guilhotina caso o Pioio saísse da banda em algum momento. Mas partiu do Vitor (Guitarrista) a “intimação” de fazer um teste comigo cantando, e na hora eu tremi as pernas e suei frio, nunca tinha cantado em uma banda, e ser o frontman requer uma atitude que eu não sabia se teria, no Guilhotina HC então nem se fala. Mas foi legal ver os caras botando fé em mim, vontade eu tinha, e muito... Seria decepcionante para mim ver aquele voto de confiança ser desperdiçado e não ser retribuído da melhor forma, então mergulhei fundo, procurei escutar mais sons do estilo do Guilhotina HC e tentei ao máximo achar o meu jeito de cantar e interpretar as melodias e letras. Mas isso é uma coisa que tem que estar em constante evolução, nunca para, sei que amanhã eu serei melhor do que sou hoje.

7 – Apesar de todas as dificuldades e vários problemas envolvendo a banda, pode-se dizer que o GUILHOTINA HC é o grupo que você mais se identificou, você acredita que pode-se alcançar um reconhecimento com a banda por méritos  dessa última “nova” formação?
R: O universo conspira contra o Guilhotina HC rsrs Não consigo pensar diferente!!! É sim a banda que mais me satisfaz, sabe?! Compor algo extremante técnico, pesado, energético e com atitude como o Guilhotina HC faz, ter a capacidade e qualidade necessária para se tocar covers dos clássicos da musica pesada, , não tem como achar que não é bom. Sei que pelos problemas que sempre aparecem e pelo fato de morarmos em uma cidade onde a cultura é quase nula, não conseguimos chegar a onde almejamos ainda, capacidade eu sei que temos, o que falta é oportunidade e um pouco de sorte das coisas acontecerem sem tantas complicações, mas não me arrependo de seguir esse caminho de espinhos, ainda olho pra trás e sinto orgulho do que fiz e é dali que tiro forças pra continuar adiante.



8– Não raramente os músicos que fazem parte do UNDERGROUND são criticados por leigos por não serem conhecidos pela maioria do público e pela música não agradar boa parte da sociedade. Como você enxerga a musicalidade em eventos que você participa e nas bandas em toca ?
R: Olha vai de cada um, a maioria das pessoas que começam a ter bandas, tocam por prazer, depois querem ganhar dinheiro com isso... Não tem problema algum com isso, o problema é que a grande maioria que migra para “esse lado” acabam se esquecendo de suas origens, tocam qualquer coisa por dinheiro, pra se aparecer pra pessoas que nem fazem questão de quem está ali tocando a “festa” e quando vão tocar em bandas de rock ou metal, acabam trazendo a influência axé music no meio do som pesado, é complicado. Sempre fui fiel ao que escuto, já toquei várias coisas diferentes e em vários projetos diferentes, mas tudo dentro do rock e suas vertentes, e sou de certa forma reconhecido pela galera que gostaria de ser reconhecido,  onde eu vou sempre sou bem tratado, recebendo elogios SINCEROS de quem realmente aprecia o som que toco e isso é o que conta, vejo muito mais musicalidade em eventos de musica underground do que num baile por exemplo, como disse, é de cada um, mas uma coisa que tenho pra mim é o seguinte, ou o cara gosta de rock ou não gosta, não existe meio termo, é muita hipocrisia alguém que toque sertanejo, dizer que gosta mesmo é de rock,  e reclamar que Colorado não tem nada além de sertanejo, e me deparo com isso constantemente, e eu só consigo pensar ...“meu irmão, tá reclamando do que??? Você está ajudando a espalhar esse “câncer” que afeta e sequela nossos cérebros...”, esse tipo de gente parece que busca a aceitação daqueles que estão envolvidos de verdade com a musica underground, prefiro me manter longe e por esse tipo de gente eu realmente não quero ser reconhecido e muito menos considerado musico.

9 – Sua última faceta dentro no HEAVY METAL foi integrar a banda TRAGEDY GARDEN como baixista. Mais uma vez mostrando todo seu potencial como músico ,como tem sido tocar em uma banda com características tão diferente de seu habitual?
R: Outro grande desafio rsrs... Não me recordo bem mas foi quase que paralelo ao fim do Vovô Madin que o Marcão baterista até então fez o convite através do Vitor. Eu aceitei na hora, mesmo não sabendo se daria conta, até me surpreendi com a forma que as coisas fluíram rápido, e eu compensava a falta de destreza no contra-baixo  com uma mão direita pesada nas cordas, acho que deu certo, não sou o cara mais técnico, mas me orgulho de onde quer que eu tenha tocado, sempre o fiz com atitude e paixão, e no Tragedy Garden não foi diferente, reconheço que não sou o maior apreciador do Doom Metal que é uma das características e influências da banda, mas sempre estudei os andamentos e a forte apelação melódica que bandas do estilo tem, hoje em dia entendo melhor como a coisa funciona e todo o peso sombrio que a musica carrega. Não esquecendo de mencionar que existe uma grande simpatia entre os membros encabeçado pelo Márcio (vocal), tudo é feito com muita responsabilidade, e sabemos distinguir hora de brincar e hora de falar sério, é o ponto mais forte do Tragedy Garden.

10 – O TRAGEDY GARDEN possui uma boa aceitação nos eventos em que participa, mesmo sendo obscura e pesada  a banda sempre consegue imprimir suas características sombrias e explorar a musicalidade de seus músicos. Como você analisa a trajetória de persistência e respeito da banda no cenário da Região?
R: Eu peguei a última parte desse trecho até o momento, então só irei falar o que eu vi e vivi. Tenho que agradecer os que ralaram pra caramba antes de mim para deixar o Tragedy Garden no patamar que está, estou dando minha contribuição agora da melhor forma que posso, mas foram os primeiros que construirão esse status que o Tragedy Garden merece, e eu só estou dando continuidade, e agora com novas composições eu posso realmente pensar que faço parte da história da banda. Todos os eventos em que tocamos é sempre repleto de elogios até por parte de quem não gosta muito do estilo, talvez por que as musicas são diferentes do Doom Metal propriamente dito. Não é aquela coisa 100% mórbida. Gosto de pensar que as musicas do Tragedy Garden são bipolares, e vão da euforia extrema à depressão profunda em 4 minutos, e eu acho isso muito bacana hahaha...


11 – Quais as suas principais referencias como músico?
R: Como vocalista eu cito Rodolfo Abrantes (Raimundos,Rodox), Phil Anselmo (Pantera), Max Cavallera (Sepultura, Soulfly), João Gordo (RDP), Evan Seinfeld (Biohazard), Layne Stanley (Alice In Chains) e Dio... E como guitarrista tem uma penca, mas esses são os meus favoritos, Dimebag Darrel, Synyster Gates, Marc Rizzo, Tom Morello, Billy Graziadei, Tony Iommi, Marty Friedman e David Gilmour... Baixista eu aprecio demais o Geezer Butler e o trampo do Robert Trujillo no Infectious Grooves. Gosto de bandas com som repleto de groove ou algo que cative meus ouvidos, sou muito fã da cena New York Hard Core que tem bandas como Biohazard, Agnostic Front, Hatebreed, SubZero, Pro Pain... Também não posso deixar de mencionar as clássicas bandas como Black Sabbath, Pantera, Korzus, Slayer, Megadeth, Metallica e das mais novas KillSwitch Engage e Avenged Sevenfold.

12 – Quais seu 5 discos preferidos ?
R:Só 5???  Ai é difícil mas no momento são
 Rodox – Rodox
Pantera  - Vulgar Display Of Power
Raimundos – Lapadas do Povo
Korzus – Discipline Of Hate
Ratos de Porão – Carniceria Tropical
Vou colocar mais um porque ninguém é de ferro... O Loco Live dos Ramones

15: Deixo o espaço aberto para suas considerações finais, muito obrigados por atender o blog COLORADO HEAVY METAL!

R: Eu que agradeço o espaço cedido, é muito gostoso a gente saber que mesmo que pequeno existe um espaço só nosso, onde podemos falar um pouco de como somos, e de onde viemos, e o que planejamos fazer em um futuro próximo, é legal que nos motiva e o mais importante de tudo, faz a gente se movimentar para que não fiquemos no sedentarismo à espera do próximo para se fazer algo. Foi muito importante para mim realizar essa entrevista, me fez relembrar de tantas coisas que já passei, incluindo furadas que é o mais comum, e pensar que tudo valeu a pena. Obrigado e até a próxima!!!!

Por Vitor Carnelossi